terça-feira, 22 de outubro de 2013

"Uma literatura que não respire o ar da sociedade que lhe é contemporânea, que não ouse comunicar à sociedade os seus próprios sofrimentos e as suas próprias aspirações, que não seja capaz de perceber a tempo os perigos morais e sociais que lhe dizem respeito, não merece o nome de literatura: quando muito pode aspirar a ser cosmética." 

[Alexander Soljenitsyne - O escritor russo, dissidente do regime comunista, foi condenado a ficar em um campo de trabalho forçado soviético depois de escrever cartas que criticavam o governo. Ele ganhou o prêmio Nobel de literatura em 1970 pelos seus livros, que expunham a brutalidade dos campos de trabalho na União Soviética.]
"Imersos na realidade de seu pequeno mundo, não eram capazes de vê-la. "Tomando distância" dela, emergiram e, assim, a viram como até então jamais a tinham visto." [Paulo Freire em carta retirada do livro "Professora sim, tia não].

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Crescimento Cultural

"Como indivíduos, verificamos que o nosso desenvolvimento depende das pessoas que conhecemos no curso da nossa vida (essas pessoas incluem os autores cujas obras lemos e as personagens, tanto da ficção como da história). O benefício desses encontros é devido tanto às diferenças como às semelhanças, tanto ao conflito como à simpatia entre pessoas. Feliz é o homem que, no momento oportuno, encontra o amigo adequado; feliz também o homem que, no momento adequado, encontra o inimigo adequado.
Não aprovo o extermínio do inimigo; a política de exterminar ou, como se diz barbaramente, liquidar o inimigo constitui um dos mais alarmantes desenvolvimentos da guerra moderna e, também, da paz moderna, do ponto de vista de quem deseja a sobrevivência da cultura. Precisamos do inimigo. Assim, dentro de certos limites, o atrito, não só entre indivíduos mas também entre grupos, parece-me necessário à civilização. 
A universidade da irritação é a melhor garantia de paz. Um país dentro do qual as divisões tenham ido demasiado longe é um perigo para si próprio; um país demasiado unido - seja por natureza ou por intenção, por fins honestos ou por fraude e opressão - é uma ameaça para os outros." 

Thomas Stearn Eliot, in 'Notas para a Definição de Cultura
"É imoral pretender que uma coisa desejada se realize magicamente, simplesmente porque a desejamos. Só é moral o desejo acompanhado da severa vontade de prover os meios da sua execução."

Fonte - A Rebelião das Massas, José Ortega y Gasset.

A terra prometida

"Poder dormir
Poder morar
Poder sair
Poder chegar
Poder viver
Bem devagar
E depois de partir poder voltar
E dizer: este aqui é o meu lugar
E poder assistir ao entardecer
E saber que vai ver o sol raiar
E ter amor e dar amor
E receber amor até não poder mais
E sem querer nenhum poder
Poder viver feliz pra se morrer em paz."

[Vinicius de Moraes]

Keith Richard & Ron Wood - You got the silver 2007

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Não sei mais o que pode se tornar jurisprudência neste país...

A concubina que mantém relação estável com um homem casado com outra mulher pode receber dele pensão alimentícia depois que os dois se separam? A questão, que divide tribunais em todo o país, será enfim respondida pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça), que julga terça-feira (8) pedido de uma carioca abandonada pelo companheiro.

A autora da ação se relacionou com o homem casado por três décadas, e era sustentada por ele. Hoje doente, pede a pensão. Já obteve vitória no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que considerou que ela conseguiu provar a dependência financeira de "forma indubitável". Nestes casos, o pagamento deve ser feito "mesmo quando o varão encontra-se casado". A pensão foi fixada em 20% dos rendimentos do réu.

A decisão formará jurisprudência a ser seguida por todos os tribunais do país. Outros direitos, no entanto, continuarão exclusivos da esposa oficial. Como, por exemplo, a divisão de patrimônio, à qual a concubina só faz jus quando prova que contribuiu para a aquisição dos móveis ou imóveis. [Colunista Mônica Bérgamo]
"Ela deixa uma calcinha na casa dele, o macho moderno já assusta.
Ela deixa duas calcinhas, epa, o medo do cara diante do varal só aumenta.
Ela deixa um biquíni, afina de contas ela é carioca e quer ir à praia a qualquer momento que estiver na casa dele.
Ela deixa um shorts jeans, destes atuais, com os bolsos por fora.
Epa!
O macho moderno, que foge do vínculo como um beduíno sem rumo no deserto, começa a ficar assustado,  bota aquele olho do desespero, fica ensaiando para dizer algo para a moça, uma advertência etc.
Mais uma calcinha, agora no chuveiro, cada pingo um suspense na cabeça do sujeito.
Sem coragem para dizer nada, ele põe aquela tromba entediada, para começo de história.
Um colar, dois colares, brincos espalhados pela casa, joias e bijuterias … Tudo que reluz é susto para o rapaz.
Ele, estranhamente, vai se afastando da gazela.  Começa a sabotagem.
Tenho um amigo, também do time dos assustados,  que estabeleceu um critério: “Passou da meia dúzia de peças de roupa eu devolvo”.
Como se as seis inocentes calcinhas significassem casamento.
Bobagem, meu filho.
Às vezes ela deixa por praticidade, como o biquíni acima citado, por exemplo. Ela deixa por se tratar de uma moça relax, a leveza do ser em pessoa.
O medo do macho moderno diante do varal ou do cabide.
Bobeira.
Nada mais bonito do que aquela primeira calcinha pingando ainda um difuso sentimento no chão do banheiro.
O varal, aos poucos, como se fosse a primavera, florindo com as calcinhas dela.
Como me disse outro dia o Manuel, meu porteiro de Copacabana, “como é feio e triste um varal só de cuecas”.
De mudança, eu subia distraído com um varal recém comprado.
Manuel completou: “O varal já tem, seu Xico, agora só falta a mulher”.
O sábio porteiro ainda me acompanhou no elevador, com mais uma pérola:
“Compre umas calcinhas e pendure no varal, pelo menos para se iludir que tem uma mulher”.
Uma onda esse paraibano morador de Duque de Caxias.
Profissional, ele sabe como a presença da mulher é capaz de injetar vida no inóspito ambiente com o cheiro do queijo da solidão e da solteirice absoluta.
Uma calcinha, duas calcinhas, três calcinhas… Deixa a moça enfeitar sem medo a árvore da vida."

(Xico Sá, colunista da Folha de São Paulo em "O medo do homem diante do varal")


quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Um território chamado Brasil

"O que significa ser escritor num país situado na periferia do mundo, um lugar onde o termo capitalismo selvagem definitivamente não é uma metáfora? Para mim, escrever é compromisso. Não há como renunciar ao fato de habitar os limiares do século 21, de escrever em português, de viver em um território chamado Brasil. Fala-se em globalização, mas as fronteiras caíram para as mercadorias, não para o trânsito das pessoas. Proclamar nossa singularidade é uma forma de resistir à tentativa autoritária de aplainar as diferenças.

O maior dilema do ser humano em todos os tempos tem sido exatamente esse, o de lidar com a dicotomia eu-outro. Porque, embora a afirmação de nossa subjetividade se verifique através do reconhecimento do outro --é a alteridade que nos confere o sentido de existir--, o outro é também aquele que pode nos aniquilar... E se a Humanidade se edifica neste movimento pendular entre agregação e dispersão, a história do Brasil vem sendo alicerçada quase que exclusivamente na negação explícita do outro, por meio da violência e da indiferença.

Nascemos sob a égide do genocídio. Dos quatro milhões de índios que existiam em 1500, restam hoje cerca de 900 mil, parte deles vivendo em condições miseráveis em assentamentos de beira de estrada ou até mesmo em favelas nas grandes cidades. Avoca-se sempre, como signo da tolerância nacional, a chamada democracia racial brasileira, mito corrente de que não teria havido dizimação, mas assimilação dos autóctones. Esse eufemismo, no entanto, serve apenas para acobertar um fato indiscutível: se nossa população é mestiça, deve-se ao cruzamento de homens europeus com mulheres indígenas ou africanas - ou seja, a assimilação se deu através do estupro das nativas e negras pelos colonizadores brancos.

Até meados do século 19, cinco milhões de africanos negros foram aprisionados e levados à força para o Brasil. Quando, em 1888, foi abolida a escravatura, não houve qualquer esforço no sentido de possibilitar condições dignas aos ex-cativos. Assim, até hoje, 125 anos depois, a grande maioria dos afrodescendentes continua confinada à base da pirâmide social: raramente são vistos entre médicos, dentistas, advogados, engenheiros, executivos, jornalistas, artistas plásticos, cineastas, escritores.

Invisível, acuada por baixos salários e destituída das prerrogativas primárias da cidadania --moradia, transporte, lazer, educação e saúde de qualidade--, a maior parte dos brasileiros sempre foi peça descartável na engrenagem que movimenta a economia: 75% de toda a riqueza encontra-se nas mãos de 10% da população branca e apenas 46 mil pessoas possuem metade das terras do país. Historicamente habituados a termos apenas deveres, nunca direitos, sucumbimos numa estranha sensação de não pertencimento: no Brasil, o que é de todos não é de ninguém...

Convivendo com uma terrível sensação de impunidade, já que a cadeia só funciona para quem não tem dinheiro para pagar bons advogados, a intolerância emerge. Aquele que, no desamparo de uma vida à margem, não tem o estatuto de ser humano reconhecido pela sociedade, reage com relação ao outro recusando-lhe também esse estatuto. Como não enxergamos o outro, o outro não nos vê. E assim acumulamos nossos ódios --o semelhante torna-se o inimigo.

A taxa de homicídios no Brasil chega a 20 assassinatos por grupo de 100 mil habitantes, o que equivale a 37 mil pessoas mortas por ano, número três vezes maior que a média mundial. E quem mais está exposto à violência não são os ricos que se enclausuram atrás dos muros altos de condomínios fechados, protegidos por cercas elétricas, segurança privada e vigilância eletrônica, mas os pobres confinados em favelas e bairros de periferia, à mercê de narcotraficantes e policiais corruptos.

Machistas, ocupamos o vergonhoso sétimo lugar entre os países com maior número de vítimas de violência doméstica, com um saldo, na última década, de 45 mil mulheres assassinadas. Covardes, em 2012 acumulamos mais de 120 mil denúncias de maus-tratos contra crianças e adolescentes. E é sabido que, tanto em relação às mulheres quanto às crianças e adolescentes, esses números são sempre subestimados.

Hipócritas, os casos de intolerância em relação à orientação sexual revelam, exemplarmente, a nossa natureza. O local onde se realiza a mais importante parada gay do mundo, que chega a reunir mais de três milhões de participantes, a Avenida Paulista, em São Paulo, é o mesmo que concentra o maior número de ataques homofóbicos da cidade.

E aqui tocamos num ponto nevrálgico: não é coincidência que a população carcerária brasileira, cerca de 550 mil pessoas, seja formada primordialmente por jovens entre 18 e 34 anos, pobres, negros e com baixa instrução.

O sistema de ensino vem sendo ao longo da história um dos mecanismos mais eficazes de manutenção do abismo entre ricos e pobres. Ocupamos os últimos lugares no ranking que avalia o desempenho escolar no mundo: cerca de 9% da população permanece analfabeta e 20% são classificados como analfabetos funcionais --ou seja, um em cada três brasileiros adultos não tem capacidade de ler e interpretar os textos mais simples.

A perpetuação da ignorância como instrumento de dominação, marca registrada da elite que permaneceu no poder até muito recentemente, pode ser mensurada. O mercado editorial brasileiro movimenta anualmente em torno de 2,2 bilhões de dólares, sendo que 35% deste total representam compras pelo governo federal, destinadas a alimentar bibliotecas públicas e escolares. No entanto, continuamos lendo pouco, em média menos de quatro títulos por ano, e no país inteiro há somente uma livraria para cada 63 mil habitantes, ainda assim concentradas nas capitais e grandes cidades do interior.

Mas, temos avançado.

A maior vitória da minha geração foi o restabelecimento da democracia - são 28 anos ininterruptos, pouco, é verdade, mas trata-se do período mais extenso de vigência do estado de direito em toda a história do Brasil. Com a estabilidade política e econômica, vimos acumulando conquistas sociais desde o fim da ditadura militar, sendo a mais significativa, sem dúvida alguma, a expressiva diminuição da miséria: um número impressionante de 42 milhões de pessoas ascenderam socialmente na última década. Inegável, ainda, a importância da implementação de mecanismos de transferência de renda, como as bolsas-família, ou de inclusão, como as cotas raciais para ingresso nas universidades públicas.

Infelizmente, no entanto, apesar de todos os esforços, é imenso o peso do nosso legado de 500 anos de desmandos. Continuamos a ser um país onde moradia, educação, saúde, cultura e lazer não são direitos de todos, mas privilégios de alguns. Em que a faculdade de ir e vir, a qualquer tempo e a qualquer hora, não pode ser exercida, porque faltam condições de segurança pública. Em que mesmo a necessidade de trabalhar, em troca de um salário mínimo equivalente a cerca de 300 dólares mensais, esbarra em dificuldades elementares como a falta de transporte adequado. Em que o respeito ao meio-ambiente inexiste. Em que nos acostumamos todos a burlar as leis.

Nós somos um país paradoxal.

Ora o Brasil surge como uma região exótica, de praias paradisíacas, florestas edênicas, carnaval, capoeira e futebol; ora como um lugar execrável, de violência urbana, exploração da prostituição infantil, desrespeito aos direitos humanos e desdém pela natureza. Ora festejado como um dos países mais bem preparados para ocupar o lugar de protagonista no mundo --amplos recursos naturais, agricultura, pecuária e indústria diversificadas, enorme potencial de crescimento de produção e consumo; ora destinado a um eterno papel acessório, de fornecedor de matéria-prima e produtos fabricados com mão de obra barata, por falta de competência para gerir a própria riqueza.

Agora, somos a sétima economia do planeta. E permanecemos em terceiro lugar entre os mais desiguais entre todos...

Volto, então, à pergunta inicial: o que significa habitar essa região situada na periferia do mundo, escrever em português para leitores quase inexistentes, lutar, enfim, todos os dias, para construir, em meio a adversidades, um sentido para a vida?

Eu acredito, talvez até ingenuamente, no papel transformador da literatura. Filho de uma lavadeira analfabeta e um pipoqueiro semianalfabeto, eu mesmo pipoqueiro, caixeiro de botequim, balconista de armarinho, operário têxtil, torneiro-mecânico, gerente de lanchonete, tive meu destino modificado pelo contato, embora fortuito, com os livros. E se a leitura de um livro pode alterar o rumo da vida de uma pessoa, e sendo a sociedade feita de pessoas, então a literatura pode mudar a sociedade. Em nossos tempos, de exacerbado apego ao narcisismo e extremado culto ao individualismo, aquele que nos é estranho, e que por isso deveria nos despertar o fascínio pelo reconhecimento mútuo, mais que nunca tem sido visto como o que nos ameaça. Voltamos as costas ao outro --seja ele o imigrante, o pobre, o negro, o indígena, a mulher, o homossexual-- como tentativa de nos preservar, esquecendo que assim implodimos a nossa própria condição de existir. Sucumbimos à solidão e ao egoísmo e nos negamos a nós mesmos. Para me contrapor a isso, escrevo: quero afetar o leitor, modificá-lo, para transformar o mundo. Trata-se de uma utopia, eu sei, mas me alimento de utopias. Porque penso que o destino último de todo ser humano deveria ser unicamente esse, o de alcançar a felicidade na Terra. Aqui e agora."

(Luiz Ruffato)

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Muito bom!!

O filho termina o segundo grau e não tem vontade de fazer uma faculdade.
O pai, meio mão de ferro, dá um apertão:
- Ahh, não quer estudar? Bem, perfeito. Vadio dentro de casa eu não mantenho, então vai trabalhar.
O velho, que tem muitos amigos, fala com um deles, que fala com outro, até que ele consegue uma audiência com um político que foi seu colega lá na época de escola.
- Rodriguez! Meu velho amigo! Tu te lembra do meu filho?
Pois é, terminou o segundo grau e anda meio à toa, não quer estudar. Será que tu não consegue um emprego pro rapaz não ficar em casa vagabundando?

Depois de 3 dias, Rodriguez liga:
- Zé, já tenho. Assessor na Comissão de Saúde do Congresso, R$ 13.700,00 por mês, prá começar.
- Tu tá loco? O guri recém terminou o colégio, assim não vai querer estudar mais, consegue 

algo mais abaixo.

Dois dias depois:
- Zé, secretário de um deputado, salário modesto, R$ 9.800,00, tá bom assim?
- Nããão, Rodriguez, algo com um salário menor, eu quero que o guri tenha vontade de estudar depois. Consegue outra coisa.
- Zé, não sei se ele vai aceitar, mas tem um de assessor da câmara, que é só de R$.6.500,00.
- Não, não, ainda é muito, aí que ele não estuda mais mesmo.
- Olha Zé, a única coisa que eu posso conseguir é um carguinho de *ajudante de arquivo*, alguma coisa de informática, mas aí o salário é uma merreca, *R$ 3.800,00 por mês* e nada mais.
- Rodriguez, por favor, alguma coisa de 600,00 a 1.200,00, no máximo.
- Isso é impossível, Zé!
- Mas, por quê?

- PORQUE com este salário aí eu só tenho vaga pra Professor. Aí precisa de curso superior, mestrado, doutorado...
E precisa passar em concurso.




quarta-feira, 11 de setembro de 2013

"É à noite que é belo acreditar na Luz." [Edmond Rostand]

A fé

O segredo de todo o esforço valioso reside na fé - Bulwer Lytton

"A lei da fé aplica-se a tudo, desde o jogo de bowling até ganhar dinheiro ou ser bem sucedido nos negócios. A fé permite fazer coisas aparentemente impossíveis. O facto de ter fé serve de força impulsionadora ou geradora que leva à realização. A sua fé é uma lei ou força que pode trabalhar a seu favor ou contra si. A fé positiva e inteligente contém os factores capazes de gerar um resultado bom ou benéfico. Por isso as pessoas optimistas curam-se mais depressa quando apanham alguma doença e continuam a viver contra todas as expectativas. Por outro lado, a fé negativa e sem inteligência contém os factores capazes de conduzir a resultados desagradáveis ou infelizes. A fé inteligente é firme; a que não é inteligente produz sempre instabilidade. 
William James disse: A fé com que iniciamos um trabalho de resultados duvidosos é a única coisa que assegura um bom resultado. Todos os factos notáveis em ciência, negócios, arquitectura, arte, educação ou religião dependem muito da fé, das convicções e da coragem. "

Alfred Montapert, in 'A Suprema Filosofia do Homem'

Roberta Campos e Nando Reis - De Janeiro a Janeiro (Novela Sangue Bom)



"...Mas talvez vc não entenda, essa coisa de fazer o mundo acreditar que o meu amor não será passageiro, te amarei de janeiro a janeiro até o mundo acabar..."
"Os que cuidam que tudo sabem necessitam de mais advertências, porque erram mais torpemente; por isso necessitam de mais conselhos, porque presumem que de nada carecem, cegueira em que os mais advertidos tropeçam."  (Pe. Antônio Vieira, em "Obras escolhidas", Portugal.)

domingo, 8 de setembro de 2013

"Um dos efeitos do medo é perturbar os sentidos e fazer que as coisas não pareçam o que são." [Miguel Cervantes em "Dom Quixote"]

"Todos os homens têm medo. Quem não tem medo não é normal; isso nada tem a ver com a coragem." Jean Paul Sartre

A crise do idealismo, por Salazar

"Cada vez será menor a «elite» que os possui [valores], perante o desvairo do nosso tempo em que a sede dos prazeres materiais e a dissolução dos costumes, apoiadas por uma organização industrial ad hoc, corromperam a riqueza e as suas fontes, o trabalho e as suas aplicações, a família e o seu valor social. Há no Mundo uma grande crise do idealismo, do espiritualismo de virtudes cívicas e morais, e não parece que sem eles possamos vencer as dificuldades do nosso tempo. Sem rectificarmos a série de valores com que lidamos - valores económicos e morais - , sem outro conceito diverso da civilização e do progresso humano, sem ao espírito ser dada primazia sobre a matéria e à moral sobre os instintos, a humanidade não curará os seus males e nem sequer tirará lucro do seu sofrimento."

António de Oliveira Salazar, in 'Entrevista ao Diário de Notícias (1936)'
"Não há barreira, fechadura ou ferrolho que possas impor à liberdade da minha mente." [Virginia Woolf]

Ler para uma criança #issomudaomundo



Vídeo fenomenal! ;)

sábado, 7 de setembro de 2013

Globo Repórter - O Cérebro Humano - Completo - 06/09/2013 HD

A visão não apenas simples, mas espetacular das nuvens que passam. O afeto que sentimos ao contemplar a delicadeza da natureza. A compreensão exata de um sinal. A explosão do chute perfeito na hora do gol. O grito de paixão e comunicação! Razão e emoção. Tudo está dentro da nossa cabeça, no nosso cérebro, Quanto poder! Há séculos cientistas e filósofos são fascinados pelo cérebro e olham para ele de todos os ângulos. A estrutura aparentemente simples guarda complexidade. E é ela que de uma forma surpreendente faz o nosso mundo acontecer. Foi responsável pelos nossos primeiros passos e por tudo o que aprendemos depois. “Há muito por desvendar. O cérebro e as diversas conexões entre as bilhões de células cerebrais estabelecem um padrão, como se fosse uma análise combinatória, uma variabilidade tão imensa, que sempre abre muitos caminhos para melhora da função cerebral em quem mais precisa, que são as pessoas que têm doenças”, aponta André Palmini, chefe Serviço de Neurologia Hospital da PUC-RS. Poderoso e frágil. Então, como manter nosso cérebro saudável? “Mantemos a saúde do cérebro primeiro assim, lembrando que o cérebro está dentro de um corpo e esse corpo tem que ser saudável porque ele depende dos aspectos nutricionais, dos aspectos de oxigenação desse corpo”, explica Dr. Jaderson Costa da Costa, diretor Instituto do Cérebro PUC-RS. Cada vez mais cuidamos da alimentação. Para mantermos nosso corpo saudável é preciso cuidar do coração, evitar diabetes, não engordar. Mas e o cérebro, será que ele também precisa desses cuidados especiais? A cientista Glaucia Pastore garante que sim. A engenheira de alimentos da Unicamp montou uma mesa com alimentos que fazem bem não só ao corpo, mas também ao nosso cérebro. O cardápio é variado. A recomendação "coma sempre frutas" que a gente ouviu e ouve da avó, da mãe, dos médicos é pura verdade. Os neurônios adoram.
“A gente pode começar, por exemplo, falando das vitaminas hidrossolúveis que estão presentes nas frutas, como a vitamina C, como as vitaminas do complexo B, a vitamina E, a vitamina A, e essas substâncias elas vão fazer com que o neurônio funcione melhor, funcione de forma adequada”, ressalta Glaucia Pastore, professora de bioquímica da Unicamp. Globo Repórter: Todo mundo gostaria de ser rico, bonito e inteligente. Rico, depende. Bonito, é genético. Tem alguma coisa que deixe a gente mais inteligente? Glaucia Pastore: Tem sim. É importante mencionar que os peixes, principalmente esses peixes marinhos, eles apresentam uma alta concentração do ácido graxo ômega 3 especializado. E esse DH, ele é responsável pela facilidade em aprender, em guardar o conhecimento. Para as crianças em idade escolar é fundamental e lamentavelmente não é muito do hábito do brasileiro em geral. As nozes ajudam o cérebro a aproveitar todos os nutrientes que a gente vai consumir. A lista tem também um alimento que até pouco tempo era tratado muito mal: o ovo. Ele tem mais do que gorduras e proteínas. Tem colina. Glaucia Pastore: A colina é matéria prima para fabricar neurotransmissor, quer dizer, aquelas substâncias que fazem comunicação célula a célula. Globo Repórter: Bom, agora eu vou buscar uma coisa que a maioria das pessoas adora! Chocolate! É pra que? Dá alegria ao cérebro? Glaucia Pastore: Além de melhorar o estado de alerta, ele acorda, mas também oferece essa sensação de bem estar. O nosso cérebro sente uma fome. Quantas e quantas vezes você já assaltou a geladeira no meio da noite em busca de doces? Pior é o sentimento de culpa que isso que dá. Mas saiba que essas tentações nem sempre representam gula. Normalmente enquanto dormimos o fígado produz glicose e envia ao cérebro. Mais ou menos 120 gramas de glicose por dia. Acontece que às vezes o fígado não consegue suprir essa necessidade por algum motivo, como jejum prolongado, excesso de atividades ou alimentação inadequada. Aí o cérebro pede socorro e nos acorda. Ainda não existe uma medida certa de quanto devemos consumir de cada um desses alimentos para o nosso cérebro funcionar bem. E é a boa dieta que vai garantir um corpo saudável e um cérebro mais eficiente, o que pode significar também uma vida mais feliz.
“É bom sempre lembrar que a função cerebral ela vai determinar também as nossas emoções”, ressalta Glaucia.


sexta-feira, 6 de setembro de 2013

"Não sabendo que era impossível, ele foi lá e fez." Jean Cocteau 
"Nunca te vira tão linda e sedutora ao mesmo tempo como ontem à noite. Dava a vida para te apertar contra o meu peito. Diz-me, era o amor que eu te inspiro que te fazia assim tão bela? Seria a paixão que me abrasa que te tornava tão atraente a meus olhos? Bem viste: não podia deixar de olhar para ti, nem de beijar a candeiazinha de ouro. Quanto tu saíste tive vontade de me prosternar a teus pés e de te adorar como a uma divindade. Ah! Se tu me quisesses metade do que eu te quero! Deste volta à minha pobre cabeça; repara no mal que me fizeste querendo-me como me queres. Às oito, esperar-te-ei numa ansiedade." 


François Chateaubriand, in ' Carta à Condessa de Castellane(1823)' 
"Como eu gostaria que os problemas da minha vida insignificante não me cegassem diante de outros tão maiores que há neste mundo afora." (Guellhorn, escritora e relatora de guerra, e esposa do fabuloso Hemingway.)
"Quando me sinto cansada e desanimada eu lembro-me de Marina, Jimmy e o Sr. Zé da Graça. Cada um com sua dose de loucura, mas que contagiavam em cada momento único, há algo em cada um deles, que me fazem crescer, olhar para alto e esquecer do quão pequeno é esse mundo. Lembro-me que, sim, se nos permitirmos
tudo é possível. Só precisamos nos permitir um pouco de loucura,
maluquice, criatividade ou coragem, como queiramos chamar essa
competência. Precisamos parar de tentar ser sempre certinhos e
corretos, de querer ter a melhor nota e nos permitir quebrar as
regras, que muitas vezes não são regras de verdade, mas simples
imposições que temos colocado sobre nós mesmos. O engraçado é que todos temos medo de sermos chamados de malucos, mas todos nos sentimos sumariamente atraídos por aqueles que são malucos. Talvez porque a loucura é libertadora,
é humana, é inspiradora, quebra todas as barreiras e fala, mesmo

que todos digam o contrário, que é sim possível fazer." (Nathalie Trutmann, com adaptações minhas)

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Soneto da Separação - Vinícius de Moraes

"De repente do riso fez-se o pranto 
Silencioso e branco como a bruma 
E das bocas unidas fez-se a espuma 
E das mãos espalmadas fez-se o espanto. 

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente."



quinta-feira, 29 de agosto de 2013

"Põe, ó Senhor, uma guarda à minha boca; guarda a porta dos meus lábios."
[Salmos 141:3]

domingo, 25 de agosto de 2013

The Doors - The End



The end...
“A única prisão real é o medo. E a única liberdade real é a liberdade de não ter medo.” ― Aung San Suu Kyi 


"Bastam as penas que eu mesma sinto de mim, junto todas crio asas e viro querubim. Sou da cor, do tom, sabor e som que quiser ouvir.. sou calor, clarão, escuridão que te faz dormir.. quero mais, quero a paz que me prometeu...Tanto faz não satisfaz o que eu preciso." [Teatro Mágico]

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Curtis Mayfield - Move On Up (live)

“Nada será como eu quero, se eu não quiser.” [Sefora Jefté] 

Se queres viver de forma criativa

"É raro ver-se um artista na casa dos 30 ou dos 40 anos contribuir com alguma coisa realmente extraordinária. É claro que existem algumas pessoas com uma curiosidade inata, que são eternas crianças na maneira como se maravilham com a vida, mas são raras. 
Os nossos pensamentos constroem padrões semelhantes a dobras na nossa mente. Nós estamos efectivamente a esboçar padrões químicos. Na maioria dos casos, as pessoas ficam presas nesses padrões, como nos sulcos de um disco, e nunca saem deles. 
Se quisermos viver a vida de forma criativa, como um artista, não podemos olhar muito para trás. Temos de estar dispostos a agarrar naquilo que fizemos, na pessoa que fomos, e deitá-lo fora. 
Quanto mais o mundo exterior tenta impor-nos uma imagem nossa, mais difícil é continuarmos a ser um artista, e é por isso que muitas vezes os artistas têm de dizer: «Adeus. Tenho de ir. Estou a ficar maluco e vou sair daqui.» E depois ir hibernar para qualquer lado. Talvez mais tarde, voltemos a emergir de uma maneira um pouco diferente." 
[Steve Jobs]
"Se a vida tem mesmo algum sentido, é só pela consciência de termos capacidade de trabalhar. O trabalho do escritor, do compositor, do artista independe da idade, das condições sociais... O criador espiritual é o único homem que leva para a velhice o sentido da vida, a possibilidade de criar. Já o cientista, se não tem laboratório e cátedra, fica estéril." 

Sándor Márai, "O sentido da vida como  capacidade de criar" in 'Diário' .

terça-feira, 20 de agosto de 2013

"Better Days" - Eddie Vedder



Música feita por Eddie Vedder especialmente para ser trilha sonora do filme: "Comer, rezar e amar!" uma adpatação do livro "Eat, Pray, Love: One Woman's Search for Everything Across Italy, India and Indonesia"escrito em 2006 por Elizabeth Gilbert.

"É melhor viver o seu próprio destino de forma imperfeita do que viver a imitação da vida de outra pessoa com perfeição." [ Elizabeth Gilbert]


"Não é que ele queira prosseguir, na verdade ele não sabe estar parado." [Sêneca em "Cartas a Lucílio"].

Vence a tua inércia!

"O destino que nos oprime é a inércia do nosso espírito. Através do alargamento e formação da nossa actividade transmutamo-nos, nós próprios, em Destino. 
Tudo parece fluir para nós vindo do exterior, porque nós não fluímos para o exterior. Somos negativos, apenas, porque o queremos - quanto mais positivos nos tornarmos, mais negativo será o mundo à nossa volta - até que, por fim, já não haverá negação e nós seremos tudo em tudo.  
Se o nosso corpo, em si mesmo, não é senão um centro de acção comum dos nossos sentidos - se nós possuímos o domínio dos nossos sentidos - se os podemos fazer agir à vontade - se os podemos centrar em comunidade, então não depende senão de nós o darmos a nós próprios o corpo que queremos. 
Sim, se os nossos sentidos não são senão modificações do órgão pensante - do elemento absoluto - então poderemos, também, pela dominação deste elemento, modificar e dirigir, como nos agradar, os nossos sentidos." 

Friedrich von Hardenberg
 Novalis, in "Fragmentos", Alemanha.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Stevie Wonder - Overjoyed - Live @ The O2 London - HD

"O homem apercebe-se apenas das suas tristezas. Ele lida com a sua felicidade como algo natural." 
[F. Dostoievski]

Meu par

"Amanheceu novamente, e reincidentemente, vc não estava ao meu lado, seguir não é tão animador. Quantos “nascer de sol” irei vislumbrar sem o calor do aconchego que teus braços me doam? Sem as manhãs banhadas pelo bem estar genuíno que só tua presença me traz, sem o sorriso esculpido em teus lábios, fruto de da minha inspiração. Sem teu cheiro de doçura que inebria, estonteia, causa-me puro prazer, sem o castanho incomparável dos teus olhos ao me olharem de um jeito como jamais alguém me olhou. Meu par reluzente, afável companhia, alminha ímpar, tu." [Sefora Jefté]


sábado, 17 de agosto de 2013

Janis Joplin - Maybe (1969) Frankfurt, Germany



Muito Diva!! "Ê Musgão!"
"O amor e a razão são dois viajantes, que nunca vivem juntos na mesma hospedaria: quando um chega, parte o outro." [Walter Scott]


A minha biblioteca é o meu harém! [Puschkine]

"Olho para as centenas de livros no meu gabinete e apercebo-me que não toquei na maior parte deles depois de os ter lido ou dado uma vista de olhos pela primeira vez. Mas nem sequer considero a hipótese de me desfazer deles - então, e se eu quiser abrir este ou aquele um dia destes? Gastei o meu último dinheiro tanto a adquirir novos livros como em prostitutas. Comprar livros novos é um prazer muito diferente do prazer de ler: examinar, cheirar, folhear um livro novo é a própria felicidade. 
Os livros dão-me confiança pela sua disponibilidade, de que posso sempre aproveitar-me se quiser. O mesmo acontece com as mulheres - preciso de muitas delas e têm de se abrir à minha fente como os livros. Na verdade, para mim, os livros e as mulheres são semelhantes de muitas formas. Abrir as páginas de um livro é o mesmo que afastar as pernas de uma mulher - o conhecimento revela-se à nossa vista.

Todos os livros têm um odor próprio: quando abrimos um livro e cheiramos, cheiramos a tinta, e é diferente em cada livro. Rasgar as páginas de um livro é um prazer inenarrável. Mesmo um livro estúpido me dá prazer quando o abro pela primeira vez. Quanto mais esperto for, mais me atrai, e a beleza da capa não é importante para mim. Isto não é necessariamente verdade para as mulheres. 
Tal como uma mulher se pode vir com qualquer homem habilidoso, assim um livro se abre a qualquer um que lhe pegue. Dará o prazer da sua sabedoria a quem for capaz de o compreender. Por isso sou cioso dos meus livros e não gosto de os dar a ninguém para ler. A minha biblioteca é o meu harém."

Alexander Puschkine, in 'Diário Secreto'

Nick Cave - Into My Arms (with lyrics)

"Estou cansada, cada vez mais incompreendida, e insatisfeita comigo, com a vida, e com os outros. Diz-me, porque não nasci igual aos outros, sem dúvidas, sem desejos de impossível? E é isso que me traz sempre desvairada, incompatível com a vida que toda a gente vive." (Florbela Espanca)

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Meu vôo

"Ela deambulava gradualmente e, à medida em que se distanciava de casa, cuidava em apressar-se como que numa tentativa de fuga ofuscada na sutileza de seus passos que, embora fossem firmes, careciam de cautelosa discrição. 
      Um pássaro sorrateiro que escapa sedento do azul inebriante dos mais longínquos horizontes, dos formidáveis tons esculpidos artesanalmente naquele céu, da peculiaridade existente em cada som pronunciado pelos mares, da brisa que acaricia os frutos do vigoroso Plátano nas tardes de outubro, do cheiro antigo de uma liberdade pouco vivida e que agora estava ali, sorrindo largamente para aquela ave dançante, sonhadora. Se era demasiado tarde? Ela nunca se importou. 
      O combustível para suas asas era composto de audácia e pujança, não havia nada capaz de frustrar os ideais que saltitavam em sua mente, já despida daqueles valores descaradamente invertidos e impregnados pela sociedade, das prioridades ignóbeis tatuadas em tantos corpos frívolos, infecundos, das fragrâncias sórdidas da desigualdade, egocentrismo, e da alienação encarcerada, que pairavam nos ares daquele lugar..."

[Sefora Jefté, em "Meu vôo", agosto de 2013]


quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Morrissey - There Is A Light That Never Goes Out (live in Manchester) 20...



"Take me out tonight...Take me anywhere... i don't care, i don't care, i don't care..." [The Smiths]
"Um pedaço de pão comido em paz é melhor do que um banquete comido com ansiedade." [Esopo, Grécia Antiga]

Contra a ansiedade (Sêneca)

Sempre que te aconteça alguma coisa contrária à tua expectativa diz a ti mesmo que os deuses tomaram uma decisão superior! Com semelhante disposição de espírito, nada terás a temer. Esta disposição de espírito consegue-se pensando na instabilidade da vida humana antes de a experimentarmos em nós, olhando para os filhos, a mulher, os bens como algo que não possuiremos para sempre, e evitando imaginarmo-nos mais infelizes um dia que deixemos de os possuir. Será a ruína do espírito andarmos ansiosos pelo futuro, desgraçados antes da desgraça, sempre na angústia de não saber se tudo o que nos dá satisfação nos acompanhará até ao último dia; assim, nunca conseguiremos repouso e, na expectativa do que há-de vir, deixaremos de aproveitar o presente. Situam-se, de facto, ao mesmo nível a dor por algo perdido e o receio de o perder. Isto não quer dizer que te esteja incitando à apatia! Pelo contrário, procura evitar as situações perigosas; procura prever tudo quanto seja previsível; procura conjecturar tudo o que pode ser-te nocivo muito antes de que te suceda, para assim o evitares. Para tanto, ser-te-á da maior utilidade a autoconfiança, a firmeza de ânimo apta a tudo enfrentar. Quem tem ânimo para suportar a fortuna é capaz de precaver-se contra ela; mas nada de angústias quando tudo estiver tranquilo!

O cúmulo da desgraça e da estupidez está no medo antecipado: que loucura é esta, ser infeliz antecipadamente? Em suma, para numa palavra te resumir o que eu penso e te descrever como são estes homens que, à força de se preocuparem, só conseguem fazer mal a si próprios: tanta falta de moderação eles mostram em plena desgraça como antes dela! Quem sofre antes de tempo sofre mais do que o devido; uma mesma incapacidade leva-o a não prever a presença da dor onde não a espera; uma mesma imoderação fá-lo imaginar permanente a sua felicidade, imaginar que os bens que o acaso lhe deu não só hão-de perdurar como também de multiplicar-se; esquecido do trampolim que é a vida humana, convence-se de que no seu caso, por excepção, o acaso deixará de se fazer sentir. 

Séneca, in 'Cartas a Lucílio'

terça-feira, 13 de agosto de 2013

iConcerts - Roger Hodgson - Dreamer (live)



-If i could see something...
-You can see anything you want, boy
-If i could be someone...
-You can be anyone, celebrate boy
-If i could do something...
-Well you can do something
-If i could do anything...
-Well can you do something out of this world?
"Tudo tem alguma beleza, mas nem todos são capazes de ver." (Confúcio)

Sentir-se Amado

O cara diz que te ama, então tá. Ele te ama. 

Sua mulher diz que te ama, então assunto encerrado. 

Você sabe que é amado porque lhe disseram isso, as três palavrinhas mágicas. Mas saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de milhas, um espaço enorme para a angústia instalar-se. 

A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e verbalização, apesar de não sonharmos com outra coisa: se o cara beija, transa e diz que me ama, tenha a santa paciência, vou querer que ele faça pacto de sangue também? 

Pactos. Acho que é isso. Não de sangue nem de nada que se possa ver e tocar. É um pacto silencioso que tem a força de manter as coisas enraizadas, um pacto de eternidade, mesmo que o destino um dia venha a dividir o caminho dos dois. 

Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida, que zela pela sua felicidade, que se preocupa quando as coisas não estão dando certo, que sugere caminhos para melhorar, que coloca-se a postos para ouvir suas dúvidas e que dá uma sacudida em você, caso você esteja delirando. "Não seja tão severa consigo mesma, relaxe um pouco. Vou te trazer um cálice de vinho". 

Sentir-se amado é ver que ela lembra de coisas que você contou dois anos atrás, é vê-la tentar reconciliar você com seu pai, é ver como ela fica triste quando você está triste e como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d´água. "Lembra que quando eu passei por isso você disse que eu estava dramatizando? Então, chegou sua vez de simplificar as coisas. Vem aqui, tira este sapato." 

Sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro e que não transformam a mágoa em munição na hora da discussão. Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente bem-vindo, que se sente inteiro. Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada, aquele que sabe que não existe assunto proibido, que tudo pode ser dito e compreendido. Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, sem inventar um personagem para a relação, pois personagem nenhum se sustenta muito tempo. Sente-se amado quem não ofega, mas suspira; quem não levanta a voz, mas fala; quem não concorda, mas escuta.

Agora sente-se e escute: eu te amo não diz tudo." 


[Marta Medeiros]

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

"Muito ganha aquele que aprende, quando perde." [Miguel Ângelo Buonarroti]

Johnny Cash - Hurt (Real GQ - Good Quality)



"If a could start again a million miles away, i would keep myself, i would find a way..."
"Full of broken thoughts..."

Uma nação sem ideal desaparece rapidamente da História

"Qualquer que seja a raça ou o tempo considerado, o objectivo constante da atividade humana foi sempre a pesquisa da felicidade, a qual consiste, em última análise, ainda o repito, em procurar o prazer e evitar a dor. Sobre essa concepção fundamental os homens estiveram constantemente de acordo; as suas divergências aplicam-se somente à idéia que se concebe da felicidade e aos meios de a conquistar. 
As suas formas são diversas, mas o termo que se tem em mira é idêntico. Sonhos de amor, de riqueza, de ambição ou de fé são os possantes factores de ilusões que a natureza emprega para conduzir-nos aos seus fins. Realização de um desejo presente ou simples esperança, a felicidade é sempre um fenómeno subjectivo. Desde que os contornos do sonho se implantam um pouco no espírito, com ardor nós tentamos obtê-lo.

Mudar a concepção da felicidade de um indivíduo ou de um povo, isto é, o seu ideal, é mudar, ao mesmo tempo, a sua concepção da vida e, por conseguinte, o seu destino. A história não é mais do que a narração dos esforços empregues pelo homem para edificar um ideal e destruí-lo em seguida, quando, tendo-o atingido, descobre a sua fragilidade. 
A esperança de felicidade concebida por cada povo e as crenças que constituem a sua fórmula representam sempre o factor da sua pujança. O seu ideal nasce, cresce e morre com ele, e, qualquer que seja, dota de grande força o povo que o aceita. Essa força é tal que o ideal actua, mesmo quando promete pouca coisa. Compreende-se o mártir, para quem a fogueira simbolizava a porta do céu; mas, que proveito podiam retirar das suas cavalgadas através do mundo um legionário romano e um soldado de Napoleão? A morte ou ferimentos. O seu ideal coletivo era, entretanto, bastante forte para velar todos os sofrimentos. Considerarem-se heróis dessas grandes epopéias era para eles um ideal de felicidade, um paraíso, presente divinamente encantador. Uma nação sem ideal desaparece rapidamente da história." 

Gustave Le Bon, in "As Opiniões e as Crenças"

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Entrevista com Deus

"Então você gostaria de me entrevistar?" disse Deus.
"Se VOCÊ tiver tempo." eu disse.
Deus sorriu. "Meu tempo é a eternidade, que pergunta tens em mente para me fazer?"
"O que na humanidade mais te impressiona?"
Deus respondeu: O que mais me impressiona é que eles ficam entediados na infância - se apressam em crescer e depois desejam ser crianças novamente. Que perdem sua saúde para ganhar dinheiro e depois gastam esse dinheiro para recuperar sua saúde. Que eles pensam ansiosamente sobre o futuro mas não vivem nem o presente nem o futuro. Que eles vivem suas vidas como se nunca fossem morrer e morrem como se nunca tivesse vivido...."

As mãos de Deus tocaram as minhas, ficamos em silêncio por um momento e então perguntei...."Sendo um pai, quais lições de vida você quer que seus filhos prendam?"
Deus responde com um sorriso: "Aprendam que eles não podem fazer ninguém os amar. O que eles podem fazer é se deixarem ser amados. Aprendam que o que é mais valioso não é o que eles têm em suas vida, mas as pessoas que eles têm em suas vidas.

Aprendam que não é bom compararem-se uns aos outros.
Aprendam que uma pessoa rica não é aquela que têm o máximo, mas sim aquela que precisa do mínimo para viver ( mesmo tendo tudo).
Aprendam que leva apenas alguns segundos para ferir a pessoa que você ama e que pode levar muitos anos para serem curadas.
Aprendam a perdoar praticando o perdão.
Aprendam que duas pessoas podem olhar para a mesma coisa e ver coisas diferentes.
Aprendam que nem sempre é suficiente ser perdoado pelos outro se você não tiver se perdoado.
Aprenda que eu SEMPRE estarei aqui pra TUDO"

(Autor Desconhecido)



Reinstalar a Solidariedade Humana

"Os valores da solidariedade humana que outrora estimularam a nossa demanda de uma sociedade humana parecem ter sido substituídos, ou estar ameaçados, por um materialismo grosseiro e a procura de fins sociais de gratificação instantânea. Um dos desafios do nosso tempo, sem ser beato ou moralista, é reinstalar na consciência do nosso povo esse sentido de solidariedade humana, de estarmos no mundo uns para os outros, e por causa e por meio dos outros." 

Nelson Mandela, in 'Walk to Freedom', África do Sul.